24.04.09

Bom Dia Caros Leitores.

Hoje, pela primeira vez, escrevo na presença de mais dois escritores. Estamos em Navamoral de La Mata. Sao (bem sei que falta o querido e phouphinho til no A mas enfim... Tecnologia de puenta española) as 10h42. Aí é menos uma hora e, por isso, enquanto alguns de vós aturam as revisoes da Pini, ou têm MACS, ou têm furo, aqui já se goza (e bem!) a moca española!

Gozem as noches portugesas. Aqui de mañana hay fiesta. SIEMPRE.

Acabaou-se o trabalho útil, fomentador dos objectivos do projecto. Para nós, que estamos deste lado do ecra, acabou-se o trabalho de mierda, essa bela óstia! Nao sentimos a necessidade de partilhar com os outros as letras lusitanas, desejadas do mais íntimo ser do Pessoa, do Camoes ou do Saramago. É frustrante tentar explicar aos outros, que nao falam como nós, à nossa maneira. É estranho (demais até!), dizer-lhes em inglês, a língua oficial do projecto (ou em español para "nuestros hermanos" (com jeitos lejos, muy lejos, de lo seren)), o que aquelas palavras realmente significam. Nao falam como nós, nao sentem como nós, nao têm no sangue os genes dos pintores. Tentem explicar a um cego como está o céu, tentando descrever tudo até ao mais ínfimo detalhe. A cor, as formas das nuvens, e por aí fora... (O cansaço (e nao só!) é demasiado para sequer tentar...). Inútil. É o que tentamos explicar aos outros. E, por isso, somos os antisociais que fogem do tempo, das faces já conhecidas, das banalidades de Shakespeare. Damos as nossas almas uns aos outros e sentimos com saudade quem nao está, longe ou perto, tentando descrever ao ceguinho a sensaçao soberba que o sol nos irradia.

Enfim... Já nem sabemos o que escrever. Vamos fugir para o túmulo do Pessoa, do Camoes e do Saramago? Ou fugimos antes para o Botellón?

"Granda nojo, nao é?" "Gostas? Gostas do gajo?" "É bueda feiooooo!`" "Nao é ele! É o cabelo!" "Ahhhhhh!"

Como é que isso se escreve? Onomatopeia! Palavra díficil...

Continuamos aqui deste lado a gozar, a tomar decisoes, a bater no computador, a rir, a roubar pastilhas e a sermos antis. O futuro é incerto... Nao sabemos onde vamos jantar. Nem onde vamos hoje a tarde. "Nao sei..." "Tenho a cabeça pesada" "Também eu".

Todos nós! Temos a alma pesada, temos a cabeça.

Vamos bajar e nos vamos a ser felices.

VAMOS EMBORA ! VAMOS A LA FIESTA!

publicado por Kiki-Mikiki às 09:38

14.04.09

Sofá... Sofá... Sofáááááááá !

Sento-me, deito-me no sofá. O dia acabou. "Mas não é um bocado cedo?"; "Tens razão..."

2009, Abril, 14, Terça-Feira, 14 horas, 22 minutos, meros segundos. Cedo. Não é terça-feira santa. É dia de tortura, é dia cinzento. Ou será mais dia de regresso? Dia Vermelho?

Acabaram-se as noitadas. Ontem, apesar do excesso, a noite começou bem mais cedo que o habitual. A noite caíra cedo, o escuro não era escuro. O vento soprava lá fora. A luz era artificial, jogando com o ligeiro canto atmosférico. O corpo estava disposto a tudo... Preferia estar deitada, querendo prolongar a posição frente ao ecrã de televisão colorida. Via a história enigmática, via as cores a mudarem a dos meus olhos. Verde, Castanho, Verde, Castanho. 

Carrega-se no botão. Olhando para o relógio, percebo que acabou. Sim, acabou! "Não vais ver mais documentários a horas indecentes". (Porque é que tudo o que tem interesse só passa na caixinha colorida tão tarde? Ou será demasiado cedo?) Troco a ciência neurológica, genética ou cardíaca pelas letras, pelas vírgulas, pelas palavras do Lobo Antunes Jr. Jr. . Esqueço a mudança louca, alucinante dos intervalos, dos chocolates a meio da madrugada, dos conhecimentos que as férias nos dão. Viro-me para o livro em cima da mesa de cabeceira, estampado a preto no fundo bege, escondido magnificamente pela capa azul e cinzenta, mostrando sinais da bela e majestosa New York City.

Entro nas histórias, nas crónicas do benjamim lobito, que de pintor chega (e bem!) aos calcanhares do chefe da alcateia. "O Sr.Dr. sente saudades..."... "O Sr.Dr. foi arrancado do seu hospital..." ... "O Sr.Dr. é PESSOA"...

E também eu o sou. Todos desejam prolongar as férias "só mais um bocadinhoooo...". Eu não. Hoje, regressou-se à rotina. Para mim, esse é o único mal feitor de tantos regressos, sempre desejados, sem qualquer pudor, pela minha alma, pela minha essência. Todos desejam ficar pelo sofá "só mais um bocadinhoooo...". Eu não. Divido-me agora em dois seres distintos, unha da mesma carne, tão parecidos, tão distintos. Existe aquele que quer ficar largas horas a ouvir falar das TACs dos assassinos ou da nova descoberta genética do cariótipo humano. E existe o lado romântico. Existe o meu anti-Eça, que goza com todo aquele detrimento dos sentimentos, das emoções, das ilusões oásicas do deserto humano, da utopia pessoal. Quero lá saber de razões, de ciências exactas, de realismos! Se me querem objectiva, não-filosófica, peçam ao escritor da obra predilecta do 11º ano, Os Maias, para ressuscitar, tal Cristo das palavras. "Aiiii que o homem dá voltas na cova...!"

Quero voltar aos meus corredores escuros, iluminados pelos sorrisos dos conquistadores, com jeitos nada Quixoteanos, com os seus olhares que, dia após dia, arrebatem este coração mole, pedindo "só mais um bocadinhoooo...". Quero voltar a chamar os que de férias regressaram a "casa". Quero-os ao pé de mim. Quero ser egoísta, quero ser uma anti-altruísta, QUERO-OS AQUI. A tocarem-me na alma, a acenderem-ma, a gastarem a lenha que só acabará com a minha companhia junto do Eça. Quero que agarrem nos pincéis pastéis, grosseiros, e que apaguem a palavra saudade do meu dicionário, da minha tela. Quero sentir-me Pessoa, quero sentir-me eu. Tempo, devolve-me aqueles que nas férias ficam a gozar a limpeza das mãos, sem giz, sem suor, sem rouquidão. Espaço, devolve-me os passos lentos, firmes, seguros àqueles corredores escuros, cinzentos mas sempre, SEMPRE, Vermelhos.

Ganha assim o livro. Ganha assim o regresso. Sou persistente, não sou?

Esqueço o trabalho que se segue. Hoje, sou da melancolia dos beijos, dos abraços, das palavras reclamadas, dos sorrisos cúmplices. Sou deles, sou de vocês.

Deixo a banda sonora avançar, ouvindo as marcas a ferrarem-se como abelhas ferozes, implacáveis. Vejo as evidências na moldura, nos cadernos, nos dossiers. Hoje tenho o mundo nas minhas mãos, tenho a realidade romântica, que sem dúvida seria a melhor corrente para um romance em pleno século XXI. "Descartes, perdoe-me por ter vivido somente há 2 séculos atrás...!"

Venha a Filosofia roubar todo o brilho à ciência. Venha a rotina roubar toda a monotonia da arte de nada-fazer. 

"Fecha os olhos... Imagina-nos no comboio, em pleno pôr-do-sol. O horizonte permuta o azul... É laranja avermelhado. Sentes? Diz-me que sim. Quero roubar um pouco daquela cor e injectá-la no teu peito. Posso? Diz-me que sim. Não quero estes quilómetros a separarem-nos. Tão poucos que chegam a ser meros metros. Vou largar a paisagem e sentar-me ao pé de ti outra vez. Deixas? Diz-me que sim. Sorrio, entro no teu olhar, toco na tua alma. Passo o portão, piso o chão, atinjo o apogeu. O sonho comanda a vida. Comandas a minha? Diz-me que sim. Dou-te o isqueiro, dou-te o leme, dou-te o mundo, o universo, o que quiseres. Aceitas? Diz-me que sim..."

O longo que tão de curto teve. Os rostos que nem se mostraram, que nem se viram. Amanhã há mais? "Diz-me que sim..."

"Fecha-se o livro. Desliga-se a luz". Não é New York City. É Portalegre. Não é cedo. É tarde. Não são 5h. São 1h30. Não é sofá. É cama. Não é escuro. É laranja. Não é realismo. É romantismo. Não é tortura. É regresso ! 

 

 

publicado por Kiki-Mikiki às 14:20

24.11.08

Desliga-se o despertador. O quarto escuro, abafadamente gélido, emite todo o seu esplêndor para os dígitios vermelhos do relógio. São raros os momentos em que o simples quarto se encontra assim. O escuro, companheiro sábio, silenciador das mágoas revisitadas, segredo das lágrimas derramadas. São 7h30. Mentira... São 7h20. Os 10 minutos inteligentemente adiantados dão aquela margem de tempo para preguiçar. Abrem-se finalmente os olhos. A escuridão não magoa. Por outro lado, a escuridão torna escuro o que não o era.

Ouve-se a água a cair. O corpo persiste em saltar da cama. Serena, calça-se um chinelo. Aos tropeções, enfia-se o segundo. Levanta-se a persiana que ilumina o novo dia.

Ouve-se a água a cair. Agora, quente, desliza sobre todas as células da minha epiderme. Acorda-me.

É segunda-feira. Segunda-feira. Segunda-feira. Segunda-feira.

Segunda-feira fora do normal. Pressente-se o futuro. Tenho medo do futuro.

Chegam os sorrisos cúmplices ao deixar o casaco branco na cadeira. Tira-se o cachecol e emite-se a primeira boca. O mano a mano habitual prossegue. Aliás se nem existisse, onde pararia o dia?

Onde pararia a Lamarck?

Entra-se na sala. Não se diz "Boa Tarde". Não se sorri, não se empurra a mesa. As frontais encontram-se desertas. Tal como a mochila, tal como a minha alma. Como não existiu Sermão, onde pararia o dia?

Onde pararia eu?

Clamo pelo escuro... Escuro, vem apagar este dia. Vem desligar-me do mundo. Vem atenuar as saudades, vem esquecer o medo do futuro.

Embarca-me nesse teu abraço. Existe... Se não...ONDE PARO EU?

publicado por Kiki-Mikiki às 21:16

12.11.08

Acabou. Pelo menos, chega certamente a ilusão do oásis de que não vamos ter de fazer mais noitadas infernais, com um infindável conjunto de números e incógnitas.

Fechemos os cadernos por uns breves dias. Serão rápidos. Por isso, toca a aproveitar !

Não temos a obrigação de chegar a casa, da escola e/ou da explicação, e abrir os cadernos, revendo a matéria leccionada. Não temos a obrigação de chegar a casa e de mal conseguir abrir os olhos, lutando contra a enxaqueca. Não temos !

Temos sim, a obrigação de descansar, de tomar conta do Darwin e de fazer NADA. E é bom que o façam. Parece que o próximo round, segundo as minhas contas, chega dentro de umas meras duas semanas.

Contudo, há coisas que não acabaram.

 

Todos os dias são novos. Todos os dias podemos dar mais um passo. Para o abismo ou simplesmente para o futuro (quem sabe?). Todos os dias encontramos novos desafios.

E hoje, apesar de saber que depois da maléfica física (F=m.a -- A força é má) veria o descanso, houve coisas boas e houve coisas más.

É duro encontrar lágrimas logo de manhã. Principalmente quando já se avizinhava uma bruta enxaqueca e já se tinham percorrido três voltas ao relento. Não sei o que terá doído mais. Se o frio a permutar a pele, se as lágrimas a permutarem o coração.

Chega a hora do ponto. Só para enfatizar: a F = ma !

Há aquelas alturas em que nos podemos apelidar de génios. O brilho do dia chega no meio de uma corrida louca. Os trocos que se juntam, o almoço que passa a correr, o passo a acelerar e a acelerar.

No fim, tudo vale a pena. "Se a alma não for pequena...". Palavras grandiosas do FP.

 

O amanhã. A incógnita do dia que irá chegar.

Por hoje, cama. E esta é tão real como as lágrimas derramadas hoje. Como o suor da corrida de hoje. Como o sorriso envergonhado seguido do beijo de hoje. Como as descobertas, um tanto ou quanto preocupantes de hoje. Como as descobertas, um tanto ou quanto realizadoras de hoje.De hoje...

De amanhã... Não seiiiiiiiiiiiiiii.

Certamente que será um amanhã repleto de girafas amarelas e de uma boa garrafa de vinho Monte das Servas.

 

(Um AMO-TE para TI. Porque tudo o que já vivemos tem muitos hoje e, certamente, muitos amanhã )

 

publicado por Kiki-Mikiki às 22:14

10.11.08

Todos os dias acordamos. Todos os dias nos levantamos da nossa cama quentinha. Todos os dias lutamos contra o despertador. Todos os dias pronunciamos "Mãeeeee só mais 5 minutos".

E quando não temos 5 minutos ?

 

As manhãs são diferentes. Quando abrimos a persiana ou a cortina (provavelmente a primeira acção que realizamos assim que acordamos), olhamos para o horizonte e julgamos o dia que se avizinha. Há dias em que o céu está limpo, que o seu esplêndido aspecto nos obriga a abrir a janela e cheirar o cheiro do Natal, aquele cheiro a frio (como se o frio tivesse cheiro...). Há outros em que o céu encoberto nos faz atirar para cima da cama e gritar o cansaço abafado pela almofada, companheira das noites de sono. Parecendo que não, temos logo a primeira impressão de como nos vai correr o dia: azul, bem; cinzento, mal.

Nunca me digam que nunca vos aconteceu isto, porque certamente que todos vós passaram por esta situação e, neste momento, relembram momentos. Enquanto vos escrevo estas palavras, também me relembro de um momento. Recente, duro, implacável.

 

Noite. O relógio é capaz de marcar umas 22h55. O cansaço é notório na minha face. Pouso a mochila verde, daquela tão típica marca publicitária, na cama igualmente tingida de verde. Olho para os telemóveis. "... Mensagens Recebidas". Começa o turbilhão da noite. Vou respondendo àquele e ao outro, sempre consciente de que preciso deles. Despejo a tralha que a mochila continha. Cadernos. Livros. Sorrisos. Corro para o caderno verde. (Reparo agora que tenho imensas coisas verdes. Engraçado... Cor da esperança.). Revejo mentalmente o teste, sorrio. Desvio o meu olhar para o caderno agora vermelho. O cansaço...

Arrumo tudo rapidamente. Passo uma vista de olhos na roupa que quero vestir amanhã. Atento no pólo vermelho clarinho e relembro o teste de outra sexta-feira parecida àquela. "Ah que se lixe..." Atiro-me para a cama, sempre com os telemóveis na mão esquerda, e abro o livro verde juntamente com o caderno vermelho. Abro a persiana e uma fresta da janela do quarto. Desligo a luz.

 

Manhã. O relógio é capaz de marcar umas 7h25. A apreensão é notória na minha face. Olho para o horizonte, rodedo de casas brancas e amarelas, já com a luz do dia a romper por entre o nevoeiro e os pingos de chuva miudinha. "Hoje não vai correr nada bem...". No banho, enquanto espeto literalmente o jacto do chuveiro nos olhos, relembro o que estudei. Visto o pólo vermelho. Agarro no livro vermelho. Coloco os óculos, não para querer parecer uma intelectual, mas por estar com uma bruta enxaqueca logo de manhã. Ligo o mp4.

 

Meio da manhã. O relógio é capaz de marcar umas 12h05. A ansiedade é notória na minha face...

 

Tarde. O relógio é capaz de marcar umas 13h25. A angústia é notória na minha face...

Não tenho mais 5 minutos. Tenho 50 pontos para compensar.

 

... O relógio é capaz de marcar...

 

A mística do verde. A mística do número 5. A mística do pólo vermelho. A mística dos dias cinzentos chuvosos. A mística da sexta-feira. A mística do vermelho.

 

O que está feito, está feito. Voltar atrás é batota. Mesmo que quisesse ligar a minha máquina do tempo, tenho a ligeira impressão de que... não funcionaria. Alguém tem o DVD de iniciação em casa...

 

Apercebi-me que não devia ter tocado neste ponto. Uma vez mais, correm as lágrimas silenciosas. Desta vez não tenho o caderno vermelho, nem o livro verde, nem a parede do meu lado direito. Não tenho o lenço rouxo, nem o relógio é capaz de marcar umas 12h25.

Só tenho a televisão ligada, os óculos pendurados no nariz e o coração a bater.

O cinzento permanece cinzento. O vermelho chegará amanhã.

 

Todos os dias nos deixamos de dormir. Todos os dias nos deitamos na nossa cama gélida. Todos os dias programamos o despertador. Todos os dias pronunciamos "Finalmente... Já não aguentava mais 5 minutos".

Nem sempre aguentamos. Nem sempre temos.

5 minutos... Eu só preciso de 5 minutos !

 

 

publicado por Kiki-Mikiki às 22:06

03.11.08

Não posso fugir mais.

Estes dias, estes meses, passei-os sem viver. Sem viver, porque fugi de mim, porque sinto que não poderia continuar mais a prender-me a estas palavras, a esta emoção.

Decidi, então, cessar por uns breves instantes.

Parei mesmo.

Parei.

P-A-R-E-I !

 

Não me fartei do brinquedo. Apenas descobri, aliás re-descobri, que há momentos em que temos de dizer BASTA. Temos de parar de lutar contra forças. Sendo eu um objecto do universo, constantemente em movimento rectílineo uniforme, continuarei sempre nesse estado até...encontrar uma força que me faça parar. Tomo, mais uma vez, a consciência do que escrevo e... dou de caras com a realidade. Não sou a força que interrompe a escrita. Sou o objecto que a força da escrita interrompe.

Logo, posso concluir que não sou eu que mando aqui. Não sou o Rei da Selva, como o Rei Leão das nossas infâncias. Sou mais do género do Rafiki. Aquele que com as suas poucas, mas boas palavras, que com o seu bastãozinho, se arrasta no meio daquela selva e silenciosamente vê tudo aquilo que os outros não vêem. E pronto, eu sou assim. A escrita não me vê a mim. Sou eu que a vejo a ela.

 

Há forças que procuram o seu par. Eu já encontrei o meu. O mundo das letras, das Filosofias, acompanha-me para onde quer que vá. Mesmo que não escreva, penso. Mesmo que não diga, sinto. E, meus caros, esta não é uma liberdade que se conquista. É uma liberdade nata, uma liberdade única que jamais alguma democracia poderá comprar.

 

Posso não saber o que quero. Mas sei o que não quero. Sei o que não gosto. E... sei que gosto de aviões, de montanhas russas, de química, de latim, de francês, de algumas incógnitas matemáticas, de atletismo e de me levar ao limite.

 

Afirmo que não gosto de Biologia, de Português nem de Filosofia. Afirmo porque não é este o meu sentimento. Não é isto que o meu peito grita. Existe o mundo do gostar. E existe o mundo do amar.

 

Voltamos assim às frases. Às minhas frases. Entre "..." escrevo o que me ensinam. Entre ... ensino aqueles que escrevem.

"Eu conhecia as regras... Mas elas não me conheciam a mim."

 

E acreditem, que tal Padre António Vieira no Sermão dos Peixes, esta frase diz tudo. 

 

Há complexos que se complicam. Há simplicidades que se simplificam. Há pessoas que se biopsicosocializam. Quanto a mim ? Sou apenas mais um rosto no meio de tantos outros cansados, procurando não lançar os dados à aposta do futuro, vendo assim, o medo diminuir, a esperança a crescer e a mágoa a desvair.

 

Não posso fugir mais.

Encontro-me, de volta, para a minha apoteose.

Não mais forte, não mais fraca, nem tão pouco mais consciente.

Apenas eu e o meu mundo de fantasia.

Aquele onde eu realmente era feliz.

Mas como nada é como nós queremos, não fujo mais.

Sou apenas eu e... eu.  

publicado por Kiki-Mikiki às 21:09

Nada é nada.
Tudo é nada.
Nada é tudo.
Quem nada não se afoga.
Quem se afoga não nada.
Logo, quem não nada AFOGA-SE!

 

(31/10/2008)

publicado por Kiki-Mikiki às 21:02

24.09.08

"Só o amor clarifica a paixão". Reficta. Uma sábia frase inicia a crónica deste novo dia. O leitor, um tanto ou quanto indignado, reflecte agora sobre a proposta que lhe fiz. Não irei filosofar sobre este conjunto de palavras. Não o anotei com a caneta no caderno, nem com as teclas no computador. Hoje, deixei esses meus pensamentos para a única pessoa que realmente sabe o que significam: eu mesma. No entanto, decidi escrever essa sentence para que vejam que alguém simples, aparentemente normal, consegue colocar fortes sentimentos em simples e aparentemente normais palavras. O choque, que não existiu, partiu para os sorrisos cúmplices entre leves sussurros. A pergunta feita não foi: "OH, FOI ELE?!". Já somos crescidos o suficiente para perceber certas coisas. Tornámo-nos, dia após dia, segundo atrás de segundo, capazes de ler e de ver por trás do óbvio, por trás de tudo aquilo que os outros vêem. Baixámos ligeiramente a cabeça, curvando descaradamente o dorso, e soltaram-se as sílabas do "Terá sido uma frase solta? Ou retirou de um texto dele?". Comentários meio filosóficos levam à dura conclusão de que nunca saberemos realmente a origem daquele enigma. 

Vi-me, então, numa posição em que jamais me tinha encontrado. Com a cinzenta embalagem carregada de tinta azul na mão, imaginava-me numa aula, em tudo semelhante àquela, e a ouvir daquela boca segura palavras minhas, sílabas minhas, sons meus. Algo que algum dia escrevi, num texto longo, num curto desabafo ou, quem sabe, num papelinho daqueles que secretamente enviamos para a carteira da frente ou do lado. Dava asas à imaginação, querendo roubar um pouco do futuro e colocá-lo no presente. Não passa disso: imaginação. Não possuo asas. Talvez até as tenha, embora estejam neste preciso momento cerradas, coladas, bem coladas com super cola 7, prolongando o meu tronco, dando-lhe a ilusão de que é mais largo. Carrega este largo tronco um grande peso. O peso da escrita, essa paixão.

1ª Lei -> O princípio de Identidade : "O que é, é" . Parece pois, que o leitor terá, de facto, de acreditar em mim. Tudo o que escrevo é mesmo aquilo que lê. Não interessa se concorda ou não, se tem erros gramaticais ou não, se são só balelas ou não. Alguém, neste caso, eu, teclou estas letras, neste blog. Se alguém, e neste caso é o leitor, ler o que escrevi, caminharei para mais um indício de realização. Mas, se por outro lado, ninguém digitar este link no seu browser, os posts continuarão aqui. Já pensou que a maior parte das coisas são assim? Existem acontecimentos que existem. Independentemente de quem participa neles, do que se faz neles, existem. É claro que poderia satisfazer a sede de quem está neste exacto segundo a ler esta passagem, e continuar a falar sobre as coisas que "são". Poderia alargar o monólogo para as parvoíces que fazemos, que dizemos, que demonstramos. Aquelas parvoíces que nos fazem ascender, que nos fazem desabar. Tirarei assim o prazer de vos tirar o prazer de pensarem vocês nisso ? Hum... Não me parece. A pista é... "O que é, é".

2ª Lei -> O princípio de Contradição: "Uma coisa não pode ser e não ser outra ao mesmo tempo". Díficil ? Nem por isso. Apesar de hoje tudo ser um grande desafio para casa, o concurso continua a ser apresentado pelas minhas mãos. "Se afirmo que o homem é racional não posso afirmar que o homem é irracional". A maior parte das vezes, quando oiço a música do Top One da minha vida, a filosofia, alargo os meus horizontes e abro o portão para que tudo entre, seja assimilado e, mais tarde, aplicado. Por consequinte, torno-me numa pessoa aberta ao mundo, tomando o gosto à vida e tudo aquilo que lhe advém. Agora, caro leitor, veja a minha angústia, ao olhar para a citação que em cima citei, e dar de caras com uma contradição. Sei que o homem é racional. Aliás, não o aprendi só nas aulas de sabedoria do ano passado. O ser biopsicossocial é também racional segundo biologia e todas as outras ciências que necessitam de uma justificação (a de que alguns homens até usam os seus neurónios). Como somos os únicos (claro está) que nos expressamos e nos entendemos, somos os únicos racionais. Não, a sério, gostava que um de vós me dissesse como é que as formigas vão sempre em grupo, trabalhando colectivamente, recolher os mantimentos para a comunidade. Possuímos o dom da palavra, ou pelo menos daquela que compreendemos, e mesmo assim, as microscópicas formigas entendem-se enquanto nós, os racionais, passamos fome e andamos às turras uns com os outros. Deve ter reparado, que acabei de violar esta 2ª Lei: se o homem fosse realmente racional, saberia-o? Ou teria a racionalidade de perceber que não é o único do mundo a sê-lo? Poderia continuar mas, mais uma vez, passo o testemunho a si, que se encontra desse lado do ecrã. Uma pequena pista? Com certeza. Há homens racionais, filósofos, e há homens irracionais, sonhadores.

-> 3ª Lei: O princípio do meio excluído: (Lamento, não possuo mais apontamentos sobre esta matéria... A campainha toca e a confusão leva-nos à bebedeira de fechar os cadernos, sacudindo o pó. Poderia dar palpites sobre este meio excluído. Mas... E que tal ser o leitor a palpitá-lo?

Não estranhe. Não ria. Eu posso rir, mas o senhor leitor não. Não me diga que não está a fazer o que lhe pedi? Mau...

O dorso, que ainda não carrega dorsal de corrida, a não ser a da rotina, grita de dor. Percebo o quanto cansada me encontro. Esquecendo a dificuldade que ainda tenho em teclar com o pulso esquerdo, ainda ligado, continuo a abrir a boca e a sentir-me bem, enquanto o faço. Pergunto-lhe agora se faria isto por uma paixão. Eu, certamente, não o faria. Por isso, arrisco-me a dizer-vos que, enquanto escrevo com esta parte da minha alma, sinto o coração quentinho. Logo, arrisco-me a dizer que a escrita não é paixão para mim. É amor. Não fosse "Só o amor clarifica a paixão".

Deixo-vos hoje, com tanto que pensar, com tanto que rir, com tanto que fazer. Partirei para o ninho de outras letras. O ninho daqueles que já ganharam coragem para perguntar a quem sabe se aquilo está realmente bom. Daqueles que já viram os seus nomes em placas rectângulas de cartão estampado. Daqueles que podemos chamar de escritores.

Se um dia o for, não me esquecerei desta premissa: "Som, sílaba, palavras... É tudo uma questão de evolução!". Esperem, junto a mim, pelo juízo consequente. Pode ser que eu evolua e você tenha o primeiro lugar da fila. Ou então... Não !

 

publicado por Kiki-Mikiki às 21:26

23.09.08

A criança caminha. Neste instante não importa se tem alguém a caminhar ao seu lado. Sabe, certamente, que atrás, tentando acompanhar o ritmo frenético da sua passada, algumas crianças a seguem. A criança chora. Interiormente, recorda as lembranças de um passado vivo. Seca as suaves mas ácidas gotas de água salgada, ao ver o perfil de quem a persegue na sublime escuridão das sombras. A criança sorri. Esboça o traçado característico de certos momentos. A criança indaga. Vê-se em mais um instante de reflexão pessoal. Pensa, sóbria, pura, culpada: "Será que cada um tem aquilo que merece?" O crânio toma o dobro do volume normal; os neurónios vibram a uma louca velocidade, tal carros em plena via rápida; as sinapses fazem-se com maior intensidade, com maior exactidão. Tudo culmina no simples abanar horizontal de la tête.

É uma questão curiosa. Meia tabu, meia banalidade, é impossível de se afirmar que se concorda ou não com a oração. Existem certas alturas que dizemos:" AHAHAHAHAH, Cada um só tem aquilo que merece". E existem outras, na simetria do significado e profere-se sim:"Como é que cada um tem aquilo que merece?!". O tom de voz não é o mesmo, nem tão pouco a intensidade com que são lançadas as sílabas retóricas. São retóricas, sim. Ninguém nos dirá qual das duas é a que melhor se adapta à realidade. Ou não fosse "ninguém" perfeito. Julgo, com todas as minhas forças, que a perfeição é uma utopia. Algo inexplicável, sem óbvio significado, intocável. Por isso, apagaremos o resto da grafite do lápis, rasurando tudo o que não é perfeito e, grafitando uma vez mais, carregando intencionalmente com mais força, com mais convicção, os nomes daqueles que a pouco e pouco deixam de ser perfeitos. Jogo, uma vez mais com as palavras, e escrevo-o para que a mensagem não fique perdida nas entrelinhas. Para os que ainda são perfeitos, seria ideal um dicionário. Não de gramática, não de sinónimos, mas sim de simplicidade e de afectividade.

Não existem pessoas boas, nem pessoas más. Existem pessoas quentes, e tome-se por quente, sentimentais (não lamechas, mas sentimentais) e pessoas frias. Existem pessoas felizes e pessoas infelizes. Existem pessoas conscientes e inconscientes. Existem Pessoas e existem animais racionais. Tudo varia, nada é imutável. Não existe nenhuma forma de conversão de quente para frio (ou vice-versa) nem tão pouco nenhum tRNA que nos transfira do exterior a felicidade para o interior. Contudo, coisas más acontecem às Pessoas e os animais racionais ganham a lotaria  das coisas boas.

Às vezes, gostaria de pensar que temos nas nossas mãos o nosso destino. É uma grande verdade. Senão houvesse o mas... Mas a verdade ainda mais verdadeira, é que existem pessoas que entram, ou até mesmo sem entrarem, na carruagem do nosso comboio, interferem, tornando ridícula a ideia idealista que muitos carregam. É triste essa dura realidade. No mundo há de tudo. Há quem jogue futebol. Há quem escreva. E há quem se meta onde não sabe, onde não deve.

Será que essa gente nunca pensou nos dois lados da moeda? Que para um sim, existirá sempre um não e não um fútil talvez? 

Acredito solenemente que somos nós que decidimos o que queremos ou não dizer, o que queremos ou não sentir. Mas se assim fosse, sofreríamos como sofremos? Viveríamos como vivemos?

Não querendo apagar o que em cima escrevi, façam de conta que não leram o "acredito solenemente" e pensem que "considero, às vezes,". 

Todos os dias me cruzo com a surpresa de viver. Cruzo a esquina e sempre encontro alguma pergunta sem resposta. Sem explicação. Já li, um dia, citando o autor:"Não existem problemas, apenas  soluções". Como sempre, pensei na citação, abri espaço para todas as possibilidades e de certa forma, até concordo. Informo também que vou escrever para a editora e pedir uma entrevista com tal escritor para troca de ideias. 

Apesar deste rascunho, ser um tanto ou quanto confuso, esquecendo a ordem de palavras e de perguntas, responde-se, sem dúvida, que tudo acontece. E que tudo pode acontecer.

Como tal, cabe-nos a nós ser capazes de controlar o incontrolável, impedir o imprevisto e amar o amado. 

Haverão dias em que sentados, nos sentiremos mal. Haverão dias em que nos levantaremos. Haverão dias que cairemos redondos no chão. Haverão noites abafadas com lágrimas. Haverão dias gélidos com sorrisos. A isto, chama-se viver.

A face encarnada, volta à sua cor original. A criança, timidamente, eleva a cabeça, atirando todos os seus flashbacks para o fundo da rua. Abranda o passo, não perdendo a vontade de dar um a seguir do outro. Vê agora, seca a última lágrima de sofrimento com uma pitada de emoção. Coloca o seu olhar seguro no brilho da calçada celeste polida de tons amarelos. Respira fundo, sentindo o coração cansado de tantas taquicardias. Cessa, definitivamente o passo. Imaginando as cenas ficcionais dos filmes, roda ligeiramente o seu ombro esquerdo, o seu preferido. Impulsiona os lábios servindo de mola para o resto do corpo. Olha, com aquele seu olhar, para as crianças que ainda andavam atrás de si. Estica os braços, querendo gravar aquele momento para sempre. Pronuncia coerentemente: "Hey! Então suas lesmas?" Retoma o passo, entre risos, e coloca-se na ponta esquerda do grupo. Solta uma inaudível gargalhada. Agora sim, a criança, vendo todas as outras do seu lado direito, o lado da confiança dos apóstolos de Deus, caminha com a intensidade que já não é só sua, não à frente dos outros, mas confortavelmente, com os outros, passo a passo... lado a lado.

  

publicado por Kiki-Mikiki às 13:58

18.09.08

Ovelhas. Parece estranho? Nem por isso. É só uma questão de lógica.

Num verde, grandioso e tranquilo quadro campestre, vemos ao longe, nuvens com umas patinhas pretas bem fofinhas, como temos o hábito de dizer. À nascença, lutam contra o mundo. Só isso, faz logo delas umas vencedoras. Quando ainda são pequeninas, sem ninguém lhes dizer como o fazer, elevam-se naquelas suas quatro patas e dão o primeiro passo. Provavelmente é um momento soberbo, algo indescritível. Tal como os nossos filhos deixam de gatinhar e passam a ser bípedes, as jovens ovelhas, sem ninguém terem ao seu lado para as segurar, sem nem uma simples mesa ou cadeira terem para se apoiar, levantam asas e voam. Não sou propriamente bióloga mas creio que tal acontecimento ocorre nas primeiras 72 horas de vida da ovelha benjamim.

Uma pequena mas "grande" introdução.

Será que precisamos dos outros? Será que somos como as pequenas ovelhas? 

A janela abre-se em mais uma madrugada. O sol rasga o céu azul deste novo dia. As crianças assobiam. Os adultos insistem em começar o dia a barafustar com o trânsito. A voz tão típica da rádio assombra a nova manhã. À medida que o caminho se encurta, começam-se a desvendar as notícias da actualidade. Tudo devidamente sincronizado, planeado, provoca a ruptura de mais uma fenda na parede do país. As medidas que não foram cumpridas, as promessas que não foram levadas a cabo, desmorecem os crescidos, que já não ameaçando agredir o automóvel da frente, tomam a voz como locutor dos seus pensamentos. Há algo que ainda não compreendi. A política e o seu grande mundo de fantasia, de inteligência, de sedução. Sedução é certamente a palavra ideal. As palavras devidamente escolhidas, são devidamente estudadas antes de serem pronunciadas. Colocam-se no papel as sílabas que irão ser lançadas pelo sedutor. O público, inocente, foi minuciosamente observado, lido, tratado. Tratado como se as pessoas fossem dados, dados desses que se estudam, descobrindo o que falha, o que satisfaz e o que marca. Basicamente, despir a multidão para o sedutor entrar na berlinda com as roupas. Pobres coitados. Como se deixam enganar. Quem toma a liberdade de cumprir os seus dezoito aninhos, parte para a folia. Contudo, hoje informo que a ignorância não é mais do que um belo presente que se dá aquando da entrega do cartão de eleitor. A possibilidade de se poder escolher o sucessor do trono do governo é um aliciante para os homo-sapiens sapiens benjamins. Mas, digam-me: será que quando um dos pequenos crescidos cair na fossa da escolha errada do elo mais forte (sim, porque o sedutor será sempre aquele mais forte, que na sua maneira fraca, ganha), terá as forças necessárias para ser "homem" o suficiente para não críticar? 

Julgo que a resposta será... não! A névoa é tão densa, o jogo é tão bem jogado, que não só os principiantes, como todos aqueles que possuem do bom senso comum, da inteligência rara do pensamento, cairão na esperança de um mundo melhor. Chegará um novo sedutor, com alma de salvador, a querer dar novas asas à nação, alimentando o seu ego, gozando o seu reinado e pensando:"Já está". Colocaremos uma vez mais a cruz no quadrado, esquecendo o certo ou o errado, com a certeza de que a nova cara, elegante, experiente, lançará a corda para recolher a jangada, não de pedra, mas de betão.

Apesar de nada compreender sobre estas adultices, sei que até me tornar numa eleitora, talvez com olho para esse negócio de gente duvidosa, continuarei a ouvir as notícias na rádio seguidas do típico comentário depreciativo.

Parece que a questão das ovelhinhas ficou esquecida. Não, sem dúvida que não. As ovelhas apesar de terem pai, apesar de terem mãe, não elegem alguém que lhes diga o que fazer. Não se queixam, não ficam de braços cruzados, à espera da grande ilusão que uma ovelha, com jeito para o teatro, entre nas suas vidas, leia os seus pensamentos, descubra os seus pontos fracos, esticando a mão enquanto tira gentilmente o braço. Aprendem sozinhas a fazer o que mais ninguém pode fazer por elas.

Em jeito de conclusão, não somos ovelhas. Nem perto disso. Devemos ser mais dinossauros, com a sua característica retrógada, sonhadora. A época polar que os derrubou ainda não chegou, embora todos saibam da sua existência. Podemos andar sobre dois pés, ligados por tendões a duas pernas. Deixemo-nos de falsas esperanças: não há ninguém que nos levante, não há nenhuma mesa ou cadeira para nos agarrarmos. Estamos no chão, deitados, imóveis. Podemos ser o único animal racional, mas a verdade é esta: as ovelhas com três dias de existência levantam-se e aprendem a caminhar. Sem perguntas ou dúvidas, tentam, escorregam, tentam e conseguem. A sociedade tenta, tenta, tenta e não consegue. Não somos ovelhas mas seremos burros? Prefiro imaginar que ainda sou criança e quando me perguntarem o que quero ser, vou cumplicemente responder: Quero ser ovelha.

 

 

publicado por Kiki-Mikiki às 21:24

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." - FP
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